Uma nova Revolução

Porque não no 25 de Abril? Quando pensamos numa data para o lançamento, o Dia da Liberdade fez muito mais sentido que o Dia Internacional da Mulher, por exemplo. Falamos do dia em que caiu o regime que tanto nos calou e da luta pela liberdade de um povo inteiro – a qual, nós, mulheres, ajudamos a conquistar.

Estávamos lá, no dia da Revolução, por mais que muitos não saibam exatamente onde. E são histórias como essas de luta, tradicionalmente contadas pela perspetiva masculina, que alimentam a sede de mudança do aborda.pt. Em toda narrativa há um ponto cego e as mulheres tendem a ser a parcela invisível na maior parte dos casos. 

Não é diferente no jornalismo português: apenas uma entre três protagonistas de notícias são mulheres, de acordo com os dados mais recentes do Global Media Monitoring Project (GMMP), em 2020. Se são as fontes que contam as histórias, os pontos de vistas devem ser diversificados para abarcar mais do que uma única realidade dominante. O nosso jornalismo, o jornalismo do Aborda, é feminista porque olha para o mundo com as lentes de género, ou seja, com a consciência de que, se não atentarmos, reproduzimos, na forma como escrevemos as notícias, as estruturas patriarcais da nossa sociedade.

Estávamos lá, no 25 de Abril, e continuamos aqui e por todo o lado, sempre. Foi também a partir desse dia que as mulheres passaram a ter condições políticas para reivindicar e conquistar os seus direitos. Saíram da margem de um regime, de um homem, e tornaram-se o centro da sua própria história. No Aborda, pretendemos, enquanto jovens feministas jornalistas, ocupar, de forma colaborativa, espaços que já nos foram impensáveis. 

As palavras cantadas por Elis Regina, que tanto me acompanharam durante o processo de criação deste projeto, nunca foram mais adequadas: “você pode até dizer que eu por fora, ou então que eu inventando, mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem”. Bebemos na fonte das mulheres do 25 de Abril, na tentativa de revolucionar o cenário do jornalismo português.

Analú Bailosa

Diretora aborda.pt

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